Imagem: Central do Varejo

O comércio brasileiro enfrentou um cenário desafiador no mês de junho, registrando seu segundo mês consecutivo com o pior desempenho para o período desde o início da pandemia. De acordo com os dados mais recentes do Índice Cielo do Varejo Ampliado, as vendas apresentaram uma queda de 2,8 por cento em termos reais quando comparadas com o mesmo mês do ano anterior.

Este resultado liga um alerta importante para os associados da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Maranhão, pois, desde o ano de 2020, o varejo não presenciava uma retração tão acentuada nesta época do ano. A queda de junho se soma ao recuo de 3,4 por cento já registrado em maio, consolidando o semestre como o mais fraco desde o período de isolamento social. No acumulado dos seis primeiros meses do ano, o índice apontou uma queda real de 2,2 por cento em todo o território nacional.

A principal causa apontada por especialistas para este enfraquecimento contínuo é a pressão inflacionária sobre itens essenciais. Carlos Alves, executivo responsável pelo levantamento, avalia que o resultado reflete o peso da inflação em produtos de alta recorrência no orçamento familiar. As altas acumuladas em setores como alimentação, bebidas e custos de habitação limitaram a capacidade de consumo das famílias, reduzindo o espaço para compras no varejo tradicional.

A retração foi sentida em todas as regiões brasileiras, embora com intensidades diferentes. O Sudeste registrou a queda mais expressiva, com 4,5 por cento, enquanto o Nordeste, região de atuação dos nossos lojistas, teve um recuo de 1,4 por cento. O estado do Maranhão, de forma resiliente, conseguiu apresentar um leve desempenho positivo, com alta de 0,9 por cento.

Analisando os formatos de venda, o comércio eletrônico continuou mostrando força, com um crescimento nominal de 9,2 por cento, contrastando com o avanço de apenas 1,0 por cento das lojas físicas no mesmo período. Entre os setores, bens duráveis e semiduráveis recuaram 3,4 por cento.

Esses números reforçam para o comércio local a importância de estratégias focadas em retenção e atração de clientes, integração entre os canais físicos e digitais, além do controle rigoroso de custos e acompanhamento do cenário econômico para projetar o segundo semestre. Planejamento estratégico e adaptação à jornada de compra do cliente continuam sendo as chaves para atravessar momentos de consumo restrito.


0 comentário

Deixe um comentário

Espaço reservado para avatar

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *