
O comportamento do consumidor brasileiro tem passado por transformações profundas e aceleradas, consolidando o país como um dos mercados mais avançados em conveniência digital e engajamento em plataformas eletrônicas. Um novo levantamento divulgado pelo relatório global DHL eCommerce Trends atesta a maturidade e a força do mercado nacional no chamado comércio por redes sociais. Para o setor varejista, os números indicam uma mudança estrutural na forma como as vendas precisam ser pensadas e executadas.
A pesquisa ouviu mil brasileiros dentro de uma amostra de milhares de pessoas pelo mundo e evidenciou que a praticidade é um fator inegociável na hora de comprar. Os dados revelam que 96% dos entrevistados se consideram compradores orientados por conveniência e 94% se definem como caçadores de ofertas. Esse perfil pragmático encontrou no social commerce o ambiente ideal para o consumo. O TikTok desponta como a plataforma líder nesse segmento no país, tendo sido utilizado por 69% dos consumidores para fechar negócios, seguido de perto pelo Instagram com 67% e pelo Facebook com 59%.
Essas transações pelas redes não se restringem ao público mais jovem, mostrando uma penetração surpreendentemente alta em todas as faixas etárias. Entre os que compram pelo TikTok, a Geração Z lidera com 77%, seguida pelos millennials com 68%. O dado que mais chama a atenção é a aderência das gerações maduras, com 63% da Geração X e 61% dos baby boomers já utilizando o formato rotineiramente. Esse alcance demográfico coloca o Brasil em quarto lugar mundial no ranking de compras pela plataforma de vídeos, ficando atrás apenas de países como Malásia e Reino Unido.
O levantamento também mapeou a motivação por trás desse volume de transações virtuais. As ofertas e os descontos são o principal motor para 71% das compras concretizadas em redes sociais. Existe uma expectativa clara de crescimento contínuo, com mais da metade dos consumidores relatando que planejam aumentar a frequência de aquisições por aplicativos nos próximos cinco anos. Para o lojista maranhense e para os associados da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas, compreender essa dinâmica ágil é o passo inicial para manter a competitividade em alta.
A força das importações é outro ponto de atenção destacado no documento. A grande maioria dos consumidores relata comprar produtos vindos da China e dos Estados Unidos, motivados pelos preços agressivos e pela falta de determinados itens no mercado interno. O Brasil ocupa hoje o terceiro lugar global na importação de mercadorias chinesas. No entanto, o varejista local ainda tem vantagens estratégicas valiosas que podem e devem ser exploradas.
As altas taxas e os impostos alfandegários são vistos como barreiras significativas por 58% dos compradores internacionais, o que resulta em elevados índices de abandono de carrinho motivados por cobranças inesperadas. O prazo de entrega longo e os custos de frete também representam obstáculos operacionais graves para o consumidor que tenta importar.
O cenário deixa evidente que a comodidade digital precisa ser o foco principal de quem atua no varejo físico ou eletrônico. As redes sociais deixaram de ser apenas vitrines inspiracionais e se tornaram balcões de negócios definitivos. O empresário que conseguir unir o atendimento dinâmico do ambiente online com a previsibilidade e a segurança da entrega local terá a vantagem necessária para reter esse novo perfil de cliente, hoje totalmente familiarizado com a compra rápida por um toque na tela do celular.


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