A economia do Brasil não cresceu no primeiro trimestre (1T22) tanto quanto os especialistas esperavam. O PIB (Produto Interno Bruto) avançou 1%, mas ficou abaixo do consenso de 1,2% no período. E tudo isso já pode estar embutido na taxa Selic e na atratividade da renda fixa em 2022.

A divulgação do PIB do Brasil nesta quinta-feira (02) fez com que muitas corretoras e casas de análises revisassem suas projeções para o ano, desde crescimento da economia, passando por inflação e também patamar de juros.

Ainda que opinião dos economistas não seja tão unânime sobre o resultado do PIB no período, a maioria dos especialistas consultados pelo Money Times considera que o espaço para novas altas da Selic está mais limitado.

“O brasileiro ainda vai consumir muitos serviços e o setor será o grande motor da economia em 2022. A dúvida que paira é se os juros vão frear tal recuperação. Na minha análise, pode até desacelerar, mas não provocará nenhum tipo de recessão no país”, explica Gustavo Cruz, economista e estrategista da RB Investimentos.

Ampulheta da Selic está secando
O que ajuda explicar o otimismo maior de parte do mercado com a recuperação do PIB brasileiro é sem dúvidas a dose restante limitada que o Banco Central tem para elevar os juros e conter a inflação.

“A inflação elevada, bem como a política monetária mais restritiva, parece ter afetado o comportamento da demanda para pior. Por ora mantemos a expectativa de crescimento do PIB do Brasil em 1,3% em 2022”, comenta Alexandre Espirito Santo, economista-chefe da Órama.

O investidor precisa ter em mente que, enquanto o BC eleva a taxa Selic para conter a disparada da inflação, por outro lado freia o crescimento econômico do país, com o consumo das famílias taxado. Alguns exemplos clássicos são o encarecimento das compras à prazo ou dos financiamentos imobiliários.

Portanto, existem casas de análises que esperam apenas mais uma alta da Selic à frente na ordem de 50 pontos base, encerrando o ciclo de alta de juros em 13,25% ao ano.

Esse é o caso da Ativa Investimentos, que considera que o PIB do Brasil já não foi tão forte assim e já começa a mostrar os impactos das elevações de juros anteriores pelo Copom, já que existe um intervalo de ao menos seis a nove meses para se notar os efeitos econômicos.

“Para política monetária as implicações parecem mínimas, visto que o mercado já não tem grandes expectativas sobre a austeridade condução do juro, ainda mais agora que a atividade não se mostrou tão pujante”, afirma Étore Sanchez, economista-chefe da corretora.

Eleições trazem mais preocupação
Outra preocupação para o PIB no ano é a ocorrência das eleições 2022 em outubro.

“Apesar do ambiente global mais positivo com a reabertura dos países, vemos um segundo semestre muito desafiador para a economia brasileira. A corrida eleitoral trará muita volatilidade. O PIB divulgado agora é mais um retrovisor”, explica Marcelo Oliveira, CFA e fundador da Quantzed, empresa de tecnologia e educação financeira para investidores.

Na mesma toada mais cautelosa, Fernanda Mansano, economista-chefe da Empiricus, vê espaço para uma revisão para baixo do PIB no acumulado do ano.

Ela explica que o consumo e o investimento serão influenciados negativamente no segundo semestre. “Consequentemente, esse resultado poderá influenciar na proximidade do fim do ciclo de aperto monetário no país ao longo dos próximos meses”, afirma Mansano.

O que vai acontecer com a renda fixa?
A atratividade da renda fixa depende das expectativas futuras para com a Selic.

A nova discussão, uma vez que a taxa básica de juros atinja o teto, será quanto tempo permanecerá em patamar elevado até que se comece um novo ciclo de corte de juros e reaquecimento da economia.

Analistas do BTG Pactual esperam que a taxa básica de juros siga sem cortes ao menos pelos próximos 12 meses, até que o Banco Central consiga manter a inflação dentro da meta em 2023.

Fonte: Money Times


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