Dados divulgados pela ANBC demonstram contingente da população que se beneficiou da primeira consulta de crédito, após a implantação do Cadastro Positivo com adesão automática

Elias Sfeir: “O Cadastro Positivo pode mudar a realidade de quem busca por crédito”
Foto: Divulgação/ANBC

O modelo de adesão automática do Cadastro Positivo (CP) completa três anos de vigência em julho de 2022, e segundo levantamento divulgado este mês pela Associação Nacional dos Bureaus de Crédito (ANBC), as informações de 62% da população brasileira estão cadastradas nos bancos de dados do CP. São Paulo (75%), Rio de Janeiro (72%) e Distrito Federal (71%) encabeçam a lista dos estados com maior participação nos data bases.

Ainda de acordo com a ANBC, a medida inseriu cerca de 4 milhões de pessoas e empresas no mercado de crédito, do total de CPFs e CNPJs presentes nas suas bases de dados, o que equivale a cerca de 3% de entrantes. Para o presidente da ANBC, Elias Sfeir, o chamado ‘Novo Cadastro Positivo’ tornou visível estas pessoas e negócios para o mercado de crédito.

“Nesses quase três anos, o Cadastro Positivo vem confirmando os benefícios previstos em sua implementação, principalmente em relação à inclusão financeira. Esses dados comprovam como o Cadastro Positivo pode mudar a realidade de quem busca por crédito”, ressaltou Sfeir.

O presidente do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), Roque Pellizzaro Júnior, destaca as formas como o Cadastro positivo beneficia tanto empresas quanto consumidores.

“Para consumidores, o Cadastro Positivo facilita a aprovação do crédito e o acesso a prazos maiores para pagamento e a taxas de juros menores, além da inclusão de consumidores de baixa renda que antes não tinham acesso à crédito. Para empresas, traz muito mais assertividade para uma melhor decisão nas análises de concessão de crédito, diminuindo os riscos de inadimplência”, afirma Pellizzaro Júnior.

No recorte por estados, a região Nordeste se destacou. Sergipe registrou o maior índice de estreantes no mercado de crédito, com 6,78%, seguido por Maranhão (5,51%) e Alagoas (4,79%).

“As empresas de pequeno e médio porte são as grandes beneficiadas, principalmente aquelas que não tem expertise ou uma estrutura de crédito mais robusta. As informações provenientes do histórico de crédito do Cadastro Positivo agregam muito valor para melhorar a avalição do crédito, bem como para agilizar a aprovação e reduzir os riscos de inadimplências”, avalia o presidente do SPC Brasil.

Roque Pellizzaro: “As empresas de pequeno e médio porte são as grandes beneficiadas (pelo Cadastro Positivo)
Foto: Arquivo/CNDL

Já Elias Sfeir lembra que consumidores e empresas que já participavam do mercado de crédito também têm sido beneficiados com o Cadastro Positivo.

“O empoderamento do tomador, possibilitado pela nota de crédito calculada considerando também os dados positivos, pode resultar em melhores condições em empréstimos e financiamentos, permitindo que se tome crédito sem prejuízo da capacidade de pagamento, o que diminui a inadimplência, impactando o spread bancário e beneficiando a economia”, completa o presidente da ANBC.

Linhas de crédito mais baratas
O relatório “Análise dos Efeitos do Cadastro Positivo”, publicado pelo do Banco Central do Brasil (BCB) no ano passado, aponta que os novos tomadores de crédito com pontuação no CP tiveram, na média, uma redução de 10,4% na taxa de juros cobrada no crédito pessoal não consignado, o que equivale a uma queda de 31 pontos percentuais na taxa de juros anual. Já para aqueles que tiveram melhora da pontuação, a redução chega a 15,9%, uma queda de 40 pontos percentuais na taxa de juros anual.

Os dados também confirmam o aumentou do número de pessoas com possibilidade de acessar a linhas de crédito, após a implementação do Novo Cadastro Positivo. Segundo as empresas gestoras de bancos de dados, a proporção de pessoas físicas que melhoraram sua classificação de risco de crédito ao ingressar no CP foi superior à proporção que pioraram.

O que é o Novo Cadastro Positivo
Criado em 2011, o Cadastro Positivo é um conjunto de bancos de dados que contém informações de pessoa física ou jurídica relativas a obrigações – de operações de crédito ou não – já pagas pelo cliente ou em andamento (parcelas que ainda não venceram). Em abril de 2019, o presidente da República, Jair Bolsonaro, sancionou modificações na Lei do Cadastro Positivo, e desde então, passou a ser automática a inclusão das informações de consumidores e empresas nos bancos de dados positivos de crédito. Entretanto, só em janeiro de 2020, estes dados ficaram disponíveis para consulta por empresas, bancos e lojas do setor varejista.

O SPC Brasil é uma das empresas gestoras dos bancos de dados do Cadastro Positivo. Segundo Roque Pellizzaro Júnior, a entidade tem evoluído bastante na captação e na melhor utilização dos históricos de pagamentos.

“São milhares de novos dados chegando a todo tempo, e estamos evoluindo nos nossos modelos de scoring e indicadores para gerar ainda mais valor aos nossos produtos e facilitar a vida dos nossos associados, para que eles tomem as melhores decisões na concessão do crédito”, ressalta o presidente do SPC Brasil.

Com informações da ANBC.


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