
O aquecimento da economia na reta final de 2026 já movimenta o mercado de trabalho no comércio e no setor de serviços em todo o país. Uma pesquisa recente realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e pelo Serviço de Proteção ao Crédito, em parceria com a OfferWise, revela que os setores preveem a abertura de aproximadamente 130 mil vagas, englobando postos temporários e efetivos. Esse volume representa um acréscimo de 12 mil oportunidades em comparação ao mesmo período do ano passado, sinalizando um cenário de retomada e otimismo moderado entre os empresários do ramo varejista.
Os dados do levantamento mostram que a necessidade de suprir o aumento típico de demanda dos últimos meses do ano é o principal motivador para as contratações, uma justificativa apontada por 59% dos lojistas entrevistados. Atualmente, 36% das empresas já contrataram ou estão em processo ativo de recrutamento para reforçar suas equipes. Por outro lado, a maior parte dos gestores, cerca de 57%, planeja manter o quadro atual de funcionários inalterado, enquanto uma parcela mínima de 3% cogita reduções nas equipes.
A formalidade é um ponto de destaque nos números apresentados. As vagas com carteira assinada lideram as intenções de contratação, representando metade do total de oportunidades geradas para a temporada. No entanto, o mercado informal também tem presença significativa, atingindo 43% das intenções, seguido por contratações no formato de Pessoa Jurídica e vagas terceirizadas. Um dado animador para os trabalhadores é que 39% das contratações previstas serão por tempo indeterminado. Mesmo entre as vagas temporárias, cuja duração média gira em torno de 2,4 meses, existe uma forte perspectiva de efetivação, com uma média de um funcionário efetivado por empresa após o período de festas.
O perfil das vagas abertas reflete de forma clara as mudanças no comportamento do consumidor brasileiro. A função de vendedor continua sendo a mais procurada pelos lojistas, representando 23% da demanda. Logo em seguida, surgem os cargos de ajudante e entregador. Esse crescimento expressivo nas funções operacionais e de logística está diretamente ligado à migração contínua das vendas para os canais digitais, que exigem das empresas uma estrutura própria de entrega cada vez mais ágil e eficiente. Outras funções operacionais, como operador de caixa e recepcionista, também figuram na lista de maiores necessidades do varejo.
No que diz respeito à remuneração, o salário médio oferecido sofreu uma leve retração em relação a 2025, fixando-se na faixa de R$ 1.805, acompanhado por uma pequena redução na jornada de trabalho diária. Para compensar essa dinâmica salarial, 71% das empresas apostam na oferta de benefícios complementares. O vale-transporte e o auxílio alimentação continuam sendo os mais comuns, mas o fornecimento de transporte próprio pela empresa tem ganhado bastante espaço nas negociações recentes, demonstrando uma adaptação dos empregadores às necessidades de mobilidade das equipes.
A idade média dos novos contratados é de 26 anos, concentrando-se principalmente entre jovens adultos na faixa dos 25 aos 34 anos em busca de consolidação profissional. O presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, José César da Costa, avalia que a expectativa positiva dos empresários evidencia a resiliência e a força do setor produtivo nacional. Ele ressalta que as vagas temporárias funcionam como uma verdadeira vitrine de talentos, servindo como porta de entrada fundamental para que muitos alcancem a tão sonhada estabilidade. Essa visão também é compartilhada por Roque Pellizzaro Júnior, presidente do Serviço de Proteção ao Crédito, que reforça o papel do comércio como o maior empregador do país e um celeiro de oportunidades valiosas para o primeiro emprego.
O ápice das contratações sazonais está previsto para o mês de novembro, período que antecede as principais datas comerciais do ano e que deve concentrar 24% das admissões. A pesquisa também traçou um perfil das empresas contratantes, revelando uma forte presença de negócios localizados no interior do país, que respondem por 70% da amostra. Além disso, mais da metade dessas empresas são formadas por Microempreendedores Individuais. Com essa alta capilaridade, o varejo reafirma seu compromisso de absorver novos talentos e manter seu papel essencial na geração de renda descentralizada em todo o território nacional.
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